Resposta da "Geração que muito idealiza e pouco realiza"

Dia desses olhando meu feed de notícias no Facebook pelo celular, me deparei com alguns textos compartilhados pelos meus contatos que tinham títulos como: "A geração que muito idealiza e pouco realiza", ou "A geração que só sabe sonhar", ou "A geração das ideias". Que geração é essa? É a minha geração. É aquela entre os 20 e 30 anos, das pessoas que idealizam suas vidas profissionais, que buscam pela felicidade, que supostamente não se esforçam, sonham demais, que tem uma vida virtual ativa, e que na maioria das vezes não se adaptam ao que é ruim para elas.

Os títulos dessas matérias logo me chamaram a atenção de uma maneira negativa, quando os li na internet. Negativa porquê? Acredito que para se opinar sobre um assunto, deve-se ter muito mais argumentos que suposições, você tem que viver aquilo, tem que ser aquilo. A maioria das pessoas que compartilharam esse texto eram adultos, formados, trabalhadores, maduros, conhecedores da vida, mas não são parte da geração que tanto criticam. 

Eu li todos os textos a que tive acesso sobre o assunto, e só para vocês entenderem, não estou falando de um texto específico e sim de todos eles que falam com tanto "conhecimento de causa" da tal Geração Faz Nada-Quer Tudo. Eu, como integrante dessa geração, estou aqui para prestar alguns esclarecimentos.

Como eu, que realmente faço parte dessa geração, posso caracterizá-la? Somos sim a geração que sonha demais em ser feliz de acordo com o que se quer e se acredita. E qual o possível problema disso? 
Nossos pais foram educados de uma maneira. Eles sabem que a vida é dura, eles aprenderam caindo e levantando, eles trabalharam e trabalham horas por dia, a maioria não é feliz no que faz e se é, está sempre cansada, reclamando do preço da conta de energia. Eles simplesmente foram criados para ter uma vida estável, com escolhas mais certas, muitas vezes empurrados para coisas que não queriam, aprenderam a valorizar o suor. E tudo bem. Isso são eles. Bom pra eles! Mas nós... 

Nós, "jovens", fomos super protegidos, aprendemos desde cedo a não nos machucarmos nem fisicamente nem emocionalmente, a evitar estresse, a estudar para sermos bem sucedidos quando crescermos. Fomos condicionados a formar opinião e a termos vontade própria, já que nada nunca nos faltou. Isso não significa que não nos esforçamos ou não nos esforçaremos para termos um futuro bom como o dos nossos pais. Não quer dizer que não vamos trabalhar, suar. Isso só significa que agora é diferente. São outros desejos, outras vontades, outras perseguições, outra maneira de galgar, outro processo, outros passos.

A questão é essa. É o velho e bom clichê: São Gerações Diferentes. Não cabem julgamentos aqui. Culpar o sonho e a vontade de querer ser feliz? Isso é brega, além de ser uma postura dura. A vida é sim uma só, e eu acho que devemos nos descobrir e após isso buscarmos o sucesso, tanto profissional quanto pessoal. E não é porque digo isso que tenho uma postura lunática, não. É o melhor pra mim. Se posso escolher entre sofrer e não sofrer, porque diabos iria ficar com a primeira opção? Minha geração é a esperta, inteligente, perspicaz, que pensa em tudo, muito bem e obrigada.

Isso não quer dizer que não vamos experimentar a dureza da vida, a dificuldade, o sofrimento necessários para o amadurecimento. Tenham certeza que já passamos por isso e vamos passar muito mais, mas se nossa escolha de vida de sermos um pouco mais positivos, termos fé e vontade própria nos acompanhar, não seria melhor? Não é uma boa coisa para nós mesmos?

Não posso falar por todas as pessoas da minha geração, porque muitos acham que tudo supostamente deveria vir fácil, mas eu não faço parte disso. Faço parte das pessoas que sonham, idealizam o melhor para si mesmas e dão um jeito de conseguir, não desistem na primeira barreira. Porque falam tão mal dessa palavra, "Idealizar"? São os ideais, as palavras, as ações que fazem o mundo girar e mudar, e você que está lendo esse texto agora, provavelmente vai mudar algo em você, vai refletir sobre o assunto, sobre a atualidade e isso só enriquece. Ideal é poder. Idéias movem. Sonhos motivam. Vontades fortalecem.

Depois de conhecermos a fundo quem somos, partimos para a ação, vamos em busca da realização, e é aí que todo o esforço e dificuldade que querem tanto que a gente viva, aparecem. Nem sempre vai dar certo, vamos nos decepcionar, aprender, ficar com raiva, desacreditados da vida por um minuto, mas aí voltamos e colocamos um sonho acima do outro que não deu certo, simplesmente porque isso é o que somos. Sonhadores, positivos, perseguidores, com todo o sabor da palavra. 

E o boom das mídias sociais nisso tudo? Errado seria colocar o virtual na frente de tudo, mas beneficiar-se, aprender, ensinar, fazer pensar, compartilhar, influenciar por meio de tantas redes sociais e aplicativos, ao meu ver, só ajuda a descobrirmos o que realmente queremos e quem somos. Não dá pra falar mal da internet e seu impacto, principalmente na minha geração. Você, de qualquer idade que está lendo isso aqui agora, como seria sua vida sem internet? No meu caso e no de muita gente é, O que seria da sua vida sem internet? Sem problemas. São outros tempos.

Temos tempo, queremos que dê certo e que seja do nosso jeito. Uma Geração não anula a outra, mas também não pode querer diminuir a outra. O mundo gira e tudo muda de lugar muito rapidamente, então é natural que os jovens de hoje não tenham nada parecido com os de ontem, e os de amanhã vão chegar para mudar mais ainda. Isso é a vida. Não entendo porque muitos complicam tanto.

Nós, da Geração que sonha, ajudamos o mundo a se relacionar, a conhecer. Entendemos essas "coisas tecnológicas", sabemos o que funciona no mundo de hoje, sabemos que o efêmero pode ser bom, mas não existe nada melhor do que sermos felizes com nós mesmos. Não existe sentido em fazermos o que não nos deixará bem. A Minha Geração simplesmente não aceita o que não seja o melhor. A minha geração ainda está em formação.

Se as pessoas fossem mais abertas à diálogos, reflexões, às diferenças, aos debates, certamente seria mais fácil viver nesse mundo hoje. Se a Geração que critica a outra, em vez disso, aceitasse, acolhesse, ajudasse, mesmo que não entendesse e concordasse, e evitasse criticar o que acha que conhece, e fosse menos julgadora, não teríamos o choque que existe hoje. Se ao menos, todos pensassem, como nós da Geração-Preguiça, se ao menos todos tentassem se fazer presentes, mostrassem ideias, ideais, sugestões, vontades, esperança de melhorar as coisas!

E ainda querem dizer que não realizamos nada...

Reprodução Google



Nenhum comentário:

Postar um comentário