Uma nova vida antes do ano novo

Anna não tinha ideia do que estava acontecendo em sua vida.

Meio perdida, meio sozinha, meio feliz.
Tava se sentindo só por uma metade, então começou a achar que precisava da outra.

Vinte e poucos anos, alguns relacionamentos depois, alguma frustração, mil desejos, Anna não sabia direito escolher o que era certo, só sabia o que estava totalmente errado.

Em um momento que lhe parecia certeiro, Anna resolveu se aventurar em um território previamente analisado, estudado, até pode-se dizer, um pouco conhecido.
Aqueles olhos e cabelos tinham a cara do perigo e Anna, que adora uma aventura emocional, resolveu tentar, com cautela, entrar neste novo mundo.

Oh Anna. Por quê?

Mateus era misterioso, daquele tipo de cara amável, mas que não dá muita informação. Que trata bem e instiga ao mesmo tempo. Que te admira, mas te chama de amiga. Pensa!

Anna só queria uma noite, uma experiência. Não queria casar com Mateus não, era menino. Precisava de muito tombo pra ser homem ainda. Mas era nesse "não querer muito" que tudo desandou.

Anna não passa vontade.

A vida acontece quando a gente mexe nossos pauzinhos, e Anna mexeu mais do que podia brincar.

Com o costume de conseguir o quê e quem queria, e por selecionar e restringir todos esses desejos ao que julgava ser bom para ela, Anna começou a misturar negócios e prazeres e se perdeu. 
Hoje encantada ela o provocava, mas amanhã não iria atender nenhuma das ligações do menino que gostava tanto de falar no telefone.

Como resolver tantos impasses e confusões que ocorreram nesses poucos meses?

Anna  também julgava. Achava chato demais! Lindo demais. Tanto potencial para ser algo, mas não era, faltava o brilho, a paixão, o coração. Anna não fica onde não tem graça. Ah, não fica mesmo.

Anna viu que o problema tava dentro dela. Não fora, lá em Mateus.

Como pessoa reflexiva que é, resolveu afastar-se, mesmo cheia de vontade presa, preferiu recuar. Preferiu paz, preferiu esperar.

Na vida a gente renuncia pra poder ganhar. Chora pra poder aprender. Sofre pra poder alegrar.

Mateus foi. Anna o deixou ir. Não fez falta não. Pesava mais que elevava. Tava na hora!

Anna se lembrou que é feita de várias metades. Metades dela mesma. Mentalizou paciência com a vida, porque quem constrói o melhor de si, merece o melhor do mundo.

Anna voou. Despediu. Desprendeu. Aprendeu. Continuou voando. E vai sempre voar. Só ou junto. Completa sempre. Aberta pra alguém chegar e transbordar. 

O bom encontro é o de nós mesmos.


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