Carta aberta do jovem adulto

Pensei em mil maneiras filosóficas e poéticas para começar esse texto. Me perdi em todas elas. Resolvo iniciar esta carta aberta sendo o mais verdadeira e direta possível: ser adulto é muito difícil.
Especialmente nos primeiros anos, os vinte e poucos, que você ainda está se encaixando, buscando seu lugar no mundo, no grupo de amigos, no mercado de trabalho...

Por falar nesse querido mercado de trabalho, ele é quase inalcançável, tipo o crush. Nessa nova fase social que estamos vivendo, onde as redes sociais ditam parâmetros, crenças e pensamentos e a crise econômica chegou pra praticamente todo mundo, quem foi contratado no primeiro estágio, pode dar graças aos céus por ter dinheiro certinho todo mês. 

É um tempo complicado para viver. Com quase 24 anos, me vejo colocando tanta pressão em mim mesma, são tantos desejos, tantas vontades, sonhos e medo de frustração que por vezes fico assustada. Quando era mais nova, imaginava que com essa idade estaria equilibradamente estável, com a carreira/emprego dos sonhos, em um lugar totalmente diferente do qual estou hoje. Tadinha.

Vivo a linha tênue em querer sair da casa dos meus pais e ficar receosa por ter um boleto no meu nome.


Eu, por exemplo, aventureira que sou, nunca imaginei que iria desejar tanto sair da vida de freelancer e me jogar em uma única empresa, só pra ter um planejamento mais quadrado de vida, grana invariável a cada 30 dias. Vivo a instabilidade de, no mesmo ano, conseguir pagar sozinha uma viagem internacional minha e não ter dinheiro nem pra comprar uma brusinha na internet. Não tô sabendo lidar.

Mesmo jovem, já me acho velha. Como pode isso, gente? Paro e penso, faço contas, me dou prazos, estudo projeções... é o danado do tempo me fazendo sentir atrasada.

Na minha humilde opinião, o mundo evolui, muda, as pessoas vão se adaptando a essas mudanças, muita coisa é positiva, mas muita coisa não é. Os acontecimentos sociais são cíclicos e cabe a cada um filtrar o que faz sentido ou não para si.

As redes sociais hoje, causam um impacto inimaginável na rotina, nas rodas de conversas, na maneira de enxergar o outro, no dinheiro, nas relações... é quase inacreditável esse tanto de poder. Mas se chegamos a esse ponto, a culpa é nossa. Certo?

Saindo um pouco do surto, acredito que as crises (econômicas e existenciais) estão aí para a gente aprender e se reinventar com elas. O mercado tá mudando? O futuro do trabalho é incerto? Claro. Mas todo fim na verdade é um começo. O caminho é enxergar as novas possibilidades, as novas ocupações, criar novos modelos que um dia também serão extintos. Aceitar pra doer menos, né?

Tá difícil se relacionar? Não sabe em quem confiar? Você tem cada vez menos amigos? Verdade também. As pessoas, a cada dia, mais radicais e donas da verdade estão esquecendo que para atingir o outro, temos que educar primeiramente a nós mesmos. Então, use o clichê e seja a mudança que você quer no mundo. A partir daí, você começa a inspirar os outros e a mudança chega, ou o ciclo se renova, vai saber.

Essa carta, em tom de desabafo, autoajuda e reflexão foi só pra te dizer, caro amigo que está entre os 23 e os 32: você não está sozinho no perrengue. Qualquer que seja o seu conflito, ele é momentâneo, ele vai passar. Você não está onde gostaria de estar AINDA. Aproveite a jornada e aprenda com cada tropeçozinho. Não caia! Deixe o balanço te impulsionar.



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